Lembranças de uma vida FELIZ!

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04/04/2014 16:51

Apelo de um ROCEIRO

 
 
Meu Deus no sertão é preciso chover
Se não vai morrer o meu alazão
O chão está seco, todo esturricado
Tá morrendo o gado, sem água e ração.
 
Fui ver meu roçado, o milho morreu
Despareceu o que plantei por lá
Nem um pé de planta na roça sobrou
A seca chegou no meu Ceará.
 
Meu Deus eu não peço nem glória ou riqueza
Só quero a certeza de um bom inverno
Só peço ao Senhor que chova no chão
Sem chuva o sertão vai virar um inferno.
 
Aqui o matuto que vive da roça
Que tem a mão grossa, que vive do eito
Se ajoelha ao chão e começa a rezar
Para não faltar esperança no peito.
 
Ele é homem forte, tem garra e tem fé
No Siô São José, que o inverno vem
Sem chuva o roceiro fica derrotado
Pois o seu roçado é tudo que tem.
 
Eu sei que o Senhor pros homens tem plano
Eu sei, não me engano, mas meu coração
Quando vê o mundo todo de azul
Fica tu-tu-tu, cheio de aflição.
 
Desculpe, meu Deus, se tou abusando
Lhe incomodando pedindo demais
É porque aqui, ó meu Pai eterno
Sem chuva, sem inverno, nós não temos paz.
(Chico Mufumbo)
04/04/2014 16:44

A dura vida na ROÇA

Quando a passarada canta
O cabôco se alevanta
Do corpo a moleza ispanta
Dá um chêro na muié
Ela ali se ispriguiçano
Vai logo se alevantano
E os dois vão cunversano
Pra cozinha fazê café.
*Dispois desse ritual
O cabra vai pro curral
Pois seu dever matinal
É tirar leito do gado
Essa rotina é sagrada
Não pode dexá por nada
Adispois bate a inxada
E arroxa pro roçado.
*Se a terra tá bem moiada
O cabra desce a inxada
Num qué sabê de mais nada
Eito de mato caino
o sol aos pôco isquentano
E ele a inxada puxano
O suó desce, pingano
Mais este é o seu distino.
*O ligume tá u'a beleza
É essa a maió riqueza
Qui a santa mãe natureza
dá ao cabôco da roça
Qui trabaia no pesado
O dia todo no roçado
E sente um orgúio danado
De ser homi de mão grossa.
*O feijão vai inramano
O mi tombém se impaiano
E o mato acompaiano
E o cabra coçano a venta
E diz: o mato é pesado
Nem que eu morra de cansado
Mais eu num faço roçado
Pra intregar pra jumenta.
*Levanta cum o arrebol
Trabaia de sol a sol
Cruvado ingual caracol
Derrubano a jitirana
Vida de rocêro é assim
A luta nunca tem fim
Só se civerti um poquim
Lá pro final de semana.
*E assim se leva a vida
Na roça é pesada a lida
Mais num tem ôta saída
Pra quem num quis istudá
A escola é a picareta
O professor é a marreta
A inxada é a caneta
E o verbo é istudá.
(Chico Mufumbo)
05/03/2014 13:40

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